quarta-feira, 7 de julho de 2010

ENTULHOS NO CORAÇÃO

Certa vez, fui procurado por um homem riquíssimo. Ele me mostrou o seu talão de cheques e me disse: “Pastor, posso comprar o carro esportivo mais caro que houver no mundo, e sei que posso preencher o cheque, pois tenho saldo no banco. O meu problema não é dinheiro.” Então, começou a desfilar um rosário de mágoas e ressentimentos de 20 anos atrás. Ele havia acumulado duas coisas na vida: dinheiro e entulhos no coração.

Quando pequeno, no lar, diante de uma implicância de um irmão, sempre ouvíamos nossa mãe dizer: “Cava outro poço”. Era uma referência à história de Isaque, filho de Abraão. Quando foi morar em Berseba, ele foi ficando cada vez mais rico. Então, os filisteus começaram a ter inveja dele. Assim, quando cavava um posso e achava água, uma preciosidade no deserto, os filisteus vinham tomá-lo “na mão grande”, alegando que era deles. Mesmo prejudicado, Isaque cavava outro poço. Aquilo foi se tornando rotina. Ele cavava, achava água, os filisteus criavam caso, e ele cedia.

É verdade que antes de ceder, Isaque discutia e mostrava toda a sua indignação. Afinal, ele tinha “direitos autorais” sobre aqueles poços, que pertenceram a seu pai. E Isaque tinha uma comitiva grande de servos, era criador de gado e também homem do campo, portanto necessitava de água.

Apesar de ceder, cavar outro poço nem sempre era fácil para Isaque. Aos poucos ele foi ficando de mau humor, sentindo-se rejeitado, humilhado e odiado. Ele fica atordoado, intranquilo, achando que todo o mundo estava conspirando contra ele, até mesmo Deus. Aquelas injustiças foram desenvolvendo nele uma mágoa crescente, uma borra de amargura e um desejo de vingança. Assim, Isaque começou a entulhar lixo no seu coração.

Juntamos lixo na alma quando não perdoamos. Com magoas e ressentimentos, danificamos toda a estrutura de nosso ser. Por isso, Jesus disse que nós devemos perdoar. Não é opcional para o crente. É um mandamento de Cristo para nós (Lucas 6:35 a 37). Muitos crentes estão sofrendo porque ainda não aprenderam a perdoar. E Jesus disse que, com a mesma medida que perdoarmos, nós seremos perdoados (Mateus 7:2, Marcos 11:26).

“Ah, mas eu não consigo esquecer!”, dirá você. Mas perdoar é perdoar, esquecer é esquecer. E quem disse que você tem que esquecer? Afinal, Deus nos fez com um supercomputador, com memória mais potente do que qualquer PC que tenhamos hoje. Como esquecer algo ou alguém que nos prejudicou? Como esquecer um estupro? Como esquecer alguém que bateu no seu carro e disse: “Não posso pagar!”? Perdoar também não é gostar do que lhe fizeram. Perdoar é liberar o coração. Eu não fico mais amarrado àquela pessoa ou àquele caso. Não permita que a dor do seu coração fique clamando por vingança!

Quer saber se realmente perdoou? O teste é: Ao se lembrar do caso, dói? Se doer, é que a ferida continua aberta e ainda há enfermidade. Se doer, é que o perdão ainda não veio. E se ainda dói, busque a cura que está à sua disposição. Só o perdão cicatriza a ferida. Quando perdoamos, deixamos Deus fazer uma limpeza, tirando o entulho da nossa alma. É aí que começamos a ser curados.

Por fim, a Bíblia diz que Isaque decidiu dar um banquete a Abimeleque, rei dos filisteus. Então se reconciliaram e fizeram um pacto de paz. Sabe o que aconteceu logo depois? Os servos de Isaque chegaram com uma boa notícia para ele: “Achamos água!”. Deus tirou o entulho do coração de Isaque e o abençoou assim que ele perdoou os filisteus. Enriqueceu-o justamente com a dádiva que ele mais queria.

Talvez Deus ainda não tenha feito mais coisas por você por causa dos lixos que ainda teimam em ficar na sua alma. A falta de perdão é um grande entulho em sua vida? Então, desentulhe-se já!

Pastor Renato Cordeiro de Souza

quinta-feira, 1 de julho de 2010

No Deserto pelo Espírito Santo


Mateus 4: 1 a 11

Quem nunca esteve no deserto? Não raro, muitos de nós já estivemos, estamos ou ainda estaremos num, em algum momento de nossa caminhada com Deus, sendo tentados, provados. E a questão que surge é essa: Como agir em meio ao deserto? Vejamos como Jesus agiu.(Leia Mateus 4: 1 a 11)

O primeiro ponto a ser destacado diz respeito à nossa dependência de Deus. Nos versos 3 e 4 vemos Satanás tentando a Jesus na Sua dependência a Deus. “...Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Ele tinha o poder para tal. Contudo, Ele assim não agira porque não só estaria fazendo o jogo do diabo, como também estaria deixando de ser dependente de Deus, o Pai, e estaria agindo à Sua própria maneira, à Sua própria força.
E é curioso perceber que Jesus fora tentado justo naquilo que tinha familiaridade.

No deserto, assim como foi com Jesus, somos tentados a confiar no nosso próprio braço, na nossa própria força, naquilo que somos capazes de fazer por nós mesmos. Note também que o diabo foi tentar Jesus naquilo em que Ele era bom: em realizar milagres. E o diabo quer justamente nos tentar naquilo em que somos “bons”. Quem sabe na música e no ministério de louvor em que atua, no ministério da Palavra, nos seus dons e talentos?!...

Há de se notar também que o diabo transportara a Jesus a um local onde havia mais gente na cidade, ou seja, no Templo, no ponto mais alto. Jesus sabia da intenção do diabo. Qual foi Sua resposta a ele? “Não tentaras ao Senhor teu Deus”.

Quando temos o temor de Deus, não usamos da unção que nos foi derramada para manipular as pessoas e ser aceito por elas.

Outro ponto que se destaca na tentação de Jesus no deserto é que Ele fora tentado na Sua paternidade. Para ser mais exato, na sua filiação. “Se tu és Filho de Deus..” Quantas vezes, em meio ao deserto, em provações e lutas ou quando a cruz está agindo, sutil e sagazmente ouvimos o diabo sussurrar em nossos ouvidos e mentes: “Se você é filho ou filha de Deus, por que está passando por tudo isso?” “Está vendo? Seu Pai não te ama. Veja agora o que está fazendo contigo. Se você fosse filho ou filha de Deus, não estaria nessa”.

Qual tem sido nossa reação diante disso? Claro que não fora apenas na Sua dependência de Deus ou na Sua filiação que Jesus fora tentado, mas na Sua fé. Ou seja, naquele deserto Jesus também fora tentado a buscar uma saída rápida para a situação. Já escutei de gente – crente - que, numa situação difícil, em crise financeira, enfermidade, em meio a cruz que começou a se manifestar, resolveu procurar ajuda em um centro espírita, em outros deuses, quando só o Senhor poderia ajudar.

É uma situação extrema, claro, mas ilustra bem o que quero dizer. É triste quando não confiamos em Deus e no que Ele está fazendo.

Meus irmãos, permitam-me dizer-lhes algo. É o Espírito Santo quem os está conduzindo ao deserto. E quando ele leva, ele vai à frente para sustentar, para bancar, para te segurar. E, creia, você vai passar dessa, vai sair dessa. O Senhor é com você. “Tende bom ânimo. Eu venci o mundo”, foi o que disse Jesus. E o Espírito Santo proporciona situações onde temos de decidir se somos ou não homens ou mulheres de Deus.

Dependa sempre dEle e não na força e seu braço. Esteja convicto de sua filiação em Cristo. Jamais busque atalhos para o seu deserto. E seja sempre conduzido pelo Espírito. Pois num deserto ou num oásis, numa batalha ou em Canaã, uma certeza é real: VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ.

Nívea Soares

Dons Espirituais

I Cortíntios 12; Efésios 4:11-18

“Dom é atributo especial, dado pelo Espírito Santo, a cada membro do corpo, de acordo com a graça de Deus, para uso no contexto do corpo”


A quem é dado um dom espiritual?


A cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do Dom de Cristo (Efésios 4:7).


Para quê nos é dado um dom?


Para servir. “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4:10).


Quando recebemos os dons?

Uma pessoa recebe os dons espirituais quando se torna um crente, quando nasce de novo. Pode reconhecê-lo imediatamente ou muito mais tarde. O dom espiritual não é um fim em si mesmo, mas um meio pelo qual o amor de Cristo vai ser manifesto através do crente, que se torna um “canal” para o bem de outros e para glória de Deus.

Quais os benefícios do crente descobrir, desenvolver e exercer seus dons na igreja?


- O corpo funciona melhor, pois cada membro saberá seu lugar no corpo (Ef 2:10; 1Co 12:12-27).


- Haverá harmonia, e todos poderão trabalhar juntos em amor, sem ciúmes, inveja, orgulho ou falsa modéstia (Rm 12:3).


- Edificação: haverá desenvolvimento espiritual e de caráter; conseqüentemente o membro servirá melhor (Ef 4:16).


- Deus será glorificado (1Pe 4:10,11).

Como o dom espiritual afeta o portador?


O exercício do dom traz alegria e satisfação, e ele se sente liberto e seguro em ser ele mesmo (auto-aceitação).

Como o reconhecimento mútuo dos dons afeta o relacionamento interpessoal?

“Quando um crente reconhece que Deus opera de uma maneira toda especial através de cada membro do corpo, então ele terá mais consideração e nutrirá um amor mais sincero para com os outros crentes. Isso o ajudará a entender também o modo de pensar e agir das outras pessoas. O reconhecimento mútuo dos dons espirituais (pessoais) promove coordenação e unidade entre os membros do corpo de Cristo” (Larry Coy).

Como descobrir meu dom espiritual?


Podemos descobrir nossos dons mediante certas evidências:


- Nossa motivação básica. O dom está ligado diretamente a uma motivação depois da conversão. Revela-se no que realmente gostamos de fazer. Nessa atividade nos sentimos felizes e realizados.


- O dom também está realizado no que realizamos por completo, o que fazemos até o fim sem esmorecer. Em situação favorável a tarefa será cumprida.

Como diferenciar Dom espiritual de talentos naturais?


No dom espiritual sentimos a ação do Espírito Santo. Sentimos, ao realizar aquilo que é dom, que as forças não são nossas e por isso não nos enfadamos ou desanimamos; percebemos que é Deus quem está agindo e que nada poderíamos fazer sem Ele.

Os dons de Deus podem ser tirados?


Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Rm 11:29). Porém, quando o crente está em pecado ou em rebeldia, ele não conseguirá desenvolver o seu dom. Ele pode continuar fazendo tudo na obra, menos usar com eficácia o poder de Deus. O dom sem unção é apenas uma habilidade que não produz vida. Os dons de Deus são reconhecidos em nós por nossos irmãos, que são edificados através deles. Ninguém vai ser edificado apenas por habilidades.

OS DONS DENTRO DA IGREJA

Os líderes são um dom de Cristo para a igreja dele (Ef 4:11)

- Apóstolos

- Profetas

- Evangelistas

- Pastores

- Mestres

Considerações:

- Os dons são distribuídos pela vontade do Espírito Santo (1Co 12:11);

- O dom é dado para proveito comum(1Co 12:7);

- Não devemos ter ciúmes dos outros irmãos(1Co 12:14-25);

- A cada um foi dado dons diferentes (1Co 12: 28-30);

- Os membros tem dons para exercer o trabalho de Cristo(1Co 12:1-31);


A finalidade dos dons (Ef 4:12-14)

- O aperfeiçoamento dos santos;

- Para a obra do ministério;

- Para edificação do corpo de Cristo;

- Para chegar a unidade da fé(Ef 4:13);

- Para chegar ao conhecimento do filho de Deus;

- Para chegar à estatura de varão perfeito